O tempo…

    Hoje é segunda-feira! E venta bastante…como nunca vi ventar em toda minha vida…A Inglaterra é o país com mais forte vento da Europa. Humm, interssante, nao?

  Agora voltando ao passado…Escrevi isso logo quando cheguei aqui,há seis meses, na Inglaterra. O conteúdo é familiar, mas paciência….
  Já tive varias oportunidades de iniciar um blog. Mas, sempre acabava desistindo. Afinal, o que há de tao importante no mundo que já nao tenha sido dito por outra pessoa?
  Eu costumava escrever com mais frequência. Na verdade eu achava que estava predestinada a escrever. Era isso que me faria feliz, mesmo que eu nao encontrasse mais adiante o meu caminho. Mas, eu deixei no ar algunas das últimas palavras… Parei, abandonei a escrita, viajei, mudei de vida.
  Dois anos na Espanha me afastaram completamente da profissao que escolhi aos quinze anos de idade e jurei ser a fonte de prazer e auto-satisfaçao. Suave era o sonho. Entao eu poderia viver disso, escrever, ler. Suena interesante, no? Linguagem creativa, ideias, liberdade de expressao…a gente encontra isso mesmo no jornalismo? Pois é. Logo essa ideia de felicidade foi embrulhada com o jornal do dia anterior. Há três anos eu nao cumpro a pauta do dia, eu nao formulo perguntas ao entrevistado, eu nao uso o lead.      
  Pelo contrário. Eu nao leio jornal regularmente, eu nao asisto ao noticiário na tv, eu nao escrevo um diário. Que espécie de jornalista sou eu? Ainda nao sei que dizer a respeito.
  Eu já fiz de tudo um pouco nesses últimos anos; já lavei chao, ja vendi sanduíche, já trabalhei como professora de espanhol, já tive as mais frustrantes oportunidades de emprego, como por exemplo vender um pacote com Internet e telefone de porta em porta. Mas, também já tive experiências gratificantes, como poder ensinar alguém a fazer algo tao simples como aprender a usar o mouse ou ligar o computador. Afinal, o que fazemos da vida senao tentar resgatar diariamente a sensaçao de felicidade. E porque nos sentimos feliz quando fazemos o que  gostamos, é que podemos  nos dar o luxo de buscá-la incesantente. Até que se  descubra que o buscamos mesmo é (palavra) a verdade.

 

  
  Hoje   eu moro em Leeds, na Inglaterra.
  Há um mês moro com meu namorado numa casa no mais puro estilo inglês, a cottage house. 
  Faz frio, Chove muito. O tempo na Inglaterra é quase um clichê. Todo dia alguém comenta algo sobre o tempo e eu adquiri o hábito de apreciar cada momento de um dia de sol - um “such gorgeous day” nao pode ser desperdicado, porque nao.
  Estou também  estudando inglês numa escola.Tenho em maos o objetivo de aprender perfeitamente a falar e escrever inglês em um ano. É um prazo razoável. Será? Enquanto isso concentro toda minha força intelectual para tentar entender o sotaque seco e forte da regiao do WestYorkshire, aprendo a gostar da comida, a me enriquecer culturalmente.
  Há pouco descobri que viver uma outra cultura, aprender uma nova língua, é o tipo de desafio que eu gosto de verdade. Agora é isso o que me interessa. Conhecer o mundo, conhecer as pessoas. Essa minha necessidade soa tao clichê quanto o tempo. 
   Agora parece que minha vida comeca do zero.
  Enquanto me arrumava um sábado à noite para encontrar alguns amigos, Sam registrava o nosso cotidiano. Detalles da nossa vida. Tudo parece tao novo que às vezes me assusto. Também sinto estrear mais que uma nova vida, novos sentimentos. Em menos de um ano, eu voltei para o  Brasil, depois de dois anos seguidos na Espanha, passei seis meses em casa recuperando o tempo que passei fora, e agora estou eu morando na Inglaterra.
   Todos os dias eu penso como seria minha vida se eu estivesse no Brasil, se eu nao tivesse atravessado o oceano há quase três anos. Como seria? Estou fazendo meu cabelo, Sam continua tirando fotos. Talvez ele nao saiba, mas sempre quis alguém que pudesse registrar esses pequenos momentos. Sem pedir. Sem pensar. Ele sabe que no íntimo cada gesto busca uma semelhança no passado. Para depois a gente poder contar histórias. É como se escrevêssemos um livro de imagens. Entao, se eu pudesse captar os detalles dessa nova vida, eu teria que pensar em cores e formatos. Sao detalles, sao clichês. “Coloque essa foto. É um começo. É você.”
  Que alívio. Sou eu mesma, nao preciso representar, nem camuflar. Sou assim, sempre. Essa cara meio inexpressiva, essa escrita confusa que mais vagueia que descreve. Sao como palavras que voam. É um recomeço. Nova vida, voltar a escrever, e nao precisa ser nada sério. Pela primeira vez nao preciso ser sério.
  É um bom começo, porque tenho um sorriso e alguma resposta no meu olhar. Adoro os detalles e agora penso como é bom ter uma pausa para pensar sobre isso. Mas, ainda é segunda-feira, das mais escuras que já vi.     Hoje eu fiz uma esforço enorme para me levantar da cama. Desejei ser criança para chorar e dizer: nao quero ir pra aula. Porque faz frio.
  Eu pergunto a Deus, porque tanto faz tanto frio de manha? E porque ainda está escuro às sete da manha? Nenhuma resposta do céu.Fui à aula com a minha cara de domingo. 

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