Vivendo a crise…

como dizem os ingleses:juntar para os dias de chuva...

RainyDaySavings- Hoje à tarde eu saí numa dessas buscas abstratas por algumas lojas. Percebi que acho tudo caro. Mais de dez libras numa blusa parece um capricho desnecessário. O preço do queijo parmesão ofende! E o meu dinheiro é vendaval, vendaval…

   Então, nessas caminhadas pelas lojas -que é uma espécie de tortura para qualquer mulher sem dinheiro - entre vitrines e manequins antecipando a chegada de dias mais quentes,acabei entrando numa loja de produtos baratos para casa, com a decisão sensata de comprar apenas o necessário.

   Porque numa casa sempre falta alguma coisa, claro. Precisava de um vaso ou algo parecido para colocar espagueti. Andei tranquilamente pelas seçoes (mais de dez), vaguei, falei sozinha, e nada, não encontrei o tal produto. Entre uma seção e outra, encontrei o que não buscava: porta-retratos. E lembrei que não tínhamos nenhum em casa.

   Comprei quatro. No primeiro andar encontrei também esses cofres de porquinho. E não pensei duas vezes. Se existe algo que combina com momentos de crise, é juntar dinheiro. Comprei o mais bonitinho, com a frase “holiday savings” (dinheiro para férias).

   Na hora de pagar, a funcionária me perguntou se eu queria uma bolsa de plástico, mas eu, tentando salvar o planeta disse que não, obrigada (É quase uma questão moral, aceitar ou não aceitar uma bolsa plástica. Em casa, temos as nossas próprias sacolas de compras, para justamente não utilizar as das lojas – que muitas vezes cobram alguns centavos por ela) e coloquei o porquinho na minha bolsa junto com as outras compras.

   Cheguei em casa ansiosa para fazer era o primeiro depósito (de uma libra!). Peguei o cofrinho na bolsa e por um lance de segundos, ele escapou das minhas mãos e se partiu em três pedaços.

   Sentei no sofá, respirei fundo e gritei. O que há de errado comigo? Qualquer mulher desesperada, com o período menstrual se aproximando, faria a mesma pergunta - não sei se diante de de um cofre de porquinho disfarçado de turista, despedaçado.

   Então, como acontece em sequência nesses momentos delicados de tpm, crise, etc,eu chorei. Por um minuto. Depois, decidi comprar outro, porque era injusto não ter sequer inaugurado o meu cofre!

   Retornei à loja, fui direto à seção dos cofres. Nao achei o mesmo porquinho de antes, o que me tomou alguns minutos decidindo qual outro escolher..Uma vez escolhido, fui ao caixa. A funcionária – que  em menos de vinte minutos já tinha me visto  entrar e sair da loja umas três vezes- olhou para o porquinho e para mim como se perguntasse a si mesma quanto dinheiro eu teria para juntar.

   Dessa vez, não me ofereceu uma bolsa. Agarrei meu porquinho com firmeza. E voltei correndo pra casa, mas com cuidado para não tropeçar. Imagina que se quebra?! E eis que o porquinho aqui se encontra,à mesa, olhando para mim. E eu nao tenho nem mais um centavo para depositar nele! No final do dia, chego a conclusão que pior que uma crise econômica é a crise velada de uma mulher.

One Response to “Vivendo a crise…”

  1. Manuela Says:

    Finalmente tenho internet em casa, e o primeiro q fiz foi abrir a página do seu bolg. Li os textos de uma só vez e adorei todos, porque todos são vc. E mais vc (sem alusão a Ana Maria Braga… hehehe)é este “Vivendo a crise…”, ao menos foi com estas palavras q me senti mais perto de vc, em Leeds, ou na Costa, ou no Starbucks. Ri muito quando caiu o cofre, me desculpe. Eu te vi chorando e gritar… senti muito pq se quebrou mas me diverti por saber que te conheço de alguma maneira e sei q essa é vc e q isso realmente acontece. Naum sei, me senti mais amiga, companheira… te conheço poxa!! Q legal!! Me explico?? Se grito na rua:- Palomeeeeeeeexxx!!!!… heheh , vc sabe q sou eu, sim ou não?? Isso q quero dizer. Continua escrevendo… está “de puta madre”. Bju

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