Para mulheres…
Quando a gente passa algum tempo sozinha, alguns rituais começam a surgir espontaneamente. De repente, um dia ela já levanta da cama falando consigo mesma.
(Num tom animado de quem está preparada pra enfrentar mais um dia) “Hum..O que vou comer no meu café da manhã?
“Omelete não seria nada mal. Omelete, então”
Liga o computador. Enquanto espera que se inicie,abre a geladeira, acende o forno, abre a porta da cozinha.
“ Sem chance.Por que?”
“Ah, se você lembrasse de comprar ovos! (Agora furiosa) Claro, alguém tem que comprar ovo nessa casa”.
Anota esse imprevisto no quadro da geladeira. Recado para si mesma. E por aí vai. Sem mais saber porquê coloca uma música e começa a cantar num ritmo mais exaltado; canta com a alma, bem alto,como se fizesse um dueto com seu cantor preferido e chega a uma exaustão delirante. Acalma a voz dentro de si…E se espalha, dando voltas no ar vazio da sala, pra espantar a melancolia…
Levanta-se, vai até a janela espiar o dia, quem sabe encontrar algum vizinho no jardim. Mas acaba encontrando um gatinho peludo, fofo, e fala com ele. (Nota que o gato tem coleira) “Ai, gracinha. Onde está seu dono” Depois fecha a cortina. Vai que alguém inventa de aparecer? Uma visita indesejada com esse cabelo que mais parece ter passado por um tornado?
Quando volta carregada com as compras do supermercado,ofegante, abre a porta e avisa: “cheguei”. Mas, pra quem ela chega? E de onde vem a certeza de que os próximos dias chegarão assim…calados, secos…
O carteiro joga as cartas através da entrada própria para isso no meio da porta. As cartas se esparramam plaf! no chão e ela sempre se assusta (e como isso a incomoda, o fato das pequenas coisas assustarem mais que os verdadeiros temores da vida). Mas já deveria estar acostumada. Afinal esses ruídos familiares fazem parte da rotina.
E a rotina para ela é esse pedaço de tecido que a gente vai costurando despercebida, criando uma composição complexa, dando voltas no desenho, perfurando a tela, avançando no formato, e contornando um círculo cheio, gordo, até chegar ao ponto de encontro, fechando o compasso dos dias e das horas…
Uma rotina longa, sim, mas honesta.Nada mais poderia exigir…

June 29th, 2009 at 10:40
Olá, paloma.
Vi seu comet lá no meu blog.
Viver longe de tudo que sempre fomos é muito dificil fiquei feliz em saber que pelo uma pessoa que me entende completamente leu meu desabafo.
Tenho duas amigas estudando ai, uma em leeds e outra em manchester, legal conhecer mais alguém por ai.
Ja tentei vir aqui antes para te responder, mas os comentarios estava dando erro, por isso fui no teu twitter..rs
bem, volte sempre.
=P
July 1st, 2009 at 02:35
Simplesmente lindo!
July 4th, 2009 at 03:57
que delícia de texto…