Una Paloma baila en el aire

Alguém já provou a sensação de poder voar? Como muitas crianças, eu também já vesti minha capa de super herói,ou melhor, um lençol roubado de uma cama grande demais para um corpo infantil. Algum dia desses da minha infância eu tentei voar e saí arrastando um lençol  (como se fosse parte do meu corpo, uma calda longa…) pelo chão do corredor até chegar à sala e encarar o sofá - aquela nave estática instalada no meio do salão enfeitado de criaturas desconhecidas: as mesmas que  apareciam no meu sonho como se continuassem a existir na minha memória, na minha invenção.

Ainda dá tempo de desistir!

Ainda dá tempo de desistir!

Naquele espaço, onde tudo parecia real demais, tinha a tv ligada, o jornal da noite, as notícias que não me atingiam, o telefone, minha mãe preenchida com seu trabalho, com ser mãe, mulher, persona, meu irmão agitado, correndo, a hora de tomar o café, cuzcuz com leite ou carne desfiada… eu até comia, mas parecia uma refeição pesada demais para quem precisava logo, logo voar….

Mas, minha ansiedade havia de digerir, e o meu corpo havia de se adaptar às coisas terrenas…ao sal, ao movimento da casa, o fato de ninguém sequer desconfiar do poder daquele lençol flutuante;ou porque ninguém enxergava as minhas asas aveludadas, minhas pernas de réptil, velozes e àsperas, prontas para saltar no ar e meu instinto domesticado…Não podia me permitir avançar tanto, já me bastava o ar…

Preparavoar!

Preparavoar!

Mas, finalmente sobrava espaço nas minhas entranhas, o passo ficava mais leve. Então, eu subia no topo daquela montanha já nem sentindo vontade de correr; ia caminhando, adestrando o bicho faminto da ansiedade para que o coração se convencesse de que a aventura havia sido adiada. “Fica calmo, coração de lata”, e até parecia nem bater;parecia, sim, um pano amarrado dentro de mim, envolvendo uma semente granulosa - parte de um coração de criança… “o coração da criança está todo no seu sorriso”,alguém que me sussurrou ou ouvi isso em algum lugar? Ou já me sobra memória nesse momento pra tanto voar, tanto bater de pernas, tanto corpo, tanto desafio à gravidade, tanto querer se expandir….

Vai, acontecer, falta pouco. A montanha nem parece tão alta como pensei…E terá alguém à minha espera, o que me deixa tranquila. Porque quando o corpo se jogar e a emoção se desintegrar no ar…quem será testemunha? Porque quando eu voltar do céu, aquele céu que eu sonhei, eu não serei mais a mesma…Eu voltaria uma pessoa descamada…de dentro pra fora, do outro lado; depois que tocasse nas nuvens de porcelana, do que me pertencia antes só restaria o meu nome:paloma, feita de asas…

Que aventura!

Que aventura!

E  quando chegasse o momento e eu desejasse voltar correndo pro chão,onde os meus pés só andaram por pura conveniência, eu saberia dizer, com a cara mastigando uma adrenalina consumida, eu diria com compaixão e um nervoso sabotado: “Hoje eu descobri que todo esforço em manter-me fixa foi em vão”…Não existe nada mais puro e violento que a liberdade de flutuar no ar…eu talvez não possa compartilhar esse segredo com você, mas eu posso voar…“mas,qual é a sensaçao de voar, me diga?” É como sentir o mundo ao revés, eu não saberia explicar, é tão violento que o estômago se contrai e revolve por completo, depois o corpo produz um desejo incontrolável de subir até o mais alto que puder e lá de cima os olhos se surpreendem de nunca terem visto, até então, paisagem igual; até mesmo a forma como vemos as coisas mudam, lá de cima tudo parece pintado com detalhe e desconfio que todos os grandes pintores são aves em segredo. E o vento é tao forte que faz o sorrirso gemer num desespero frio e irradiante.

Todo o rosto se remodela, o sorriso corre por toda a cara (eu mesma o senti no meio da minha testa)… depois de um tempo quando o corpo todo se inverte e se acostuma com toda troca, com a mudança do orgãos, dos sentidos, vem uma sensação plena, um gozo tão duradouro que a gente pensa ser prazer, mas é apenas vibração. Em seguida, vem o pavor de tanto sentir e o corpo inaugura uma calma…Só assim eu poderia explicar o meu nome, e o meu coração enlatado, porque, sim, meu coração também saltou pela boca e se perdeu no ar! Somente assim, você que já tentou voar comigo, meu irmão, vai entender os meus sonhos no meio da noite, o pensamento longe, os meus pés tocando cada vez menos forte no chão, a minha vontade de pássaro…

Voando cada vez mais alto...

Voando cada vez mais alto...

P.S. Eu dedico esse post a Sam, que me deu de presente (aniversário de dois anos) o poder de voar, ou pelo menos o poder de experimentar, por um momento, essa emoçao. Me deu de presente o que pertence a mim, pelo que me identifica: una paloma, como já me disseram tantas vezes, assim como “yo”, nasceu mesmo pra voar…

…e tomar conta do mundo lá de cima…

Todo meu amor.

3 Responses to “Una Paloma baila en el aire”

  1. Paty Says:

    Pammmmmm, que coragem!! Melhor que parashooting though!!! Saudade!!!!!!!!!!!!!!! bjbjbjbjbjjb

  2. sonia pedrosa Says:

    que presente lindo!!!! Parabéns para ele, pela sensibilidade! E a você, que conquistou um cara capaz de dar um presente como esse!
    Beijossssssssssssss
    sonia.

  3. Fabiana Says:

    Amei o titulo!!!

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