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	<title>O Mundo Pequeno</title>
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	<description>o mundo é pequeno pra caramba</description>
	<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 12:46:28 +0000</pubDate>
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		<title>Não sei se caso ou se aceito a máquina de costura</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 12:40:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pam</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[O Mundo de Luiza]]></category>

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		<description><![CDATA[  Que diacho que eu tô fazendo aqui? Ah, o nome disso é brogue, é? Tem até brogue depois que meu dinheiro se acaba!E quem é que vai contar essas histórias bunitas? Sei. Num tenho muita segurança nisso não, viu?Já vou dizendo. E então minha vida vai ser púbrica, é? E o povo vai [...]]]></description>
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<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">E o povo vai ler tudo de mim? Deus é mais! E se num gostarem, v<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>o sair por aí dizendo tudo que é palavra mau de mim? Sei n<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>o, tô meio desconfiada&#8230; E tem o tal de interneute, que tem um monte de coisa que n<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>o presta, vai espalhar conversa sobre minha vida&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">Num sei n<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>o&#8230;a menina até explicou tudo diretinho, mas deu vontade de chorar, quanto mais ela falava mais sentia um nó na garganta. N</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD"><span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span></span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">o dá pra entender essas coisas n<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>o, rapaz! Cê besta! Mas cá entre nós, essa moça disse que eu tenho muita história pra contar. Cismou que é pra eu contar tudo, de bocadinho em bocadinho. Me apresentou esse tal de brogue e disse que num se preocupe que vai ficar bom. Sei n<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>o, tô achando que ela nem sabe o que faz direito. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">Certa vez gravou um monte de história minha, diz ela que era pra um trabaio, sei n<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>o&#8230; Me pintei, me vesti cor de vinho, batom vermeio na boca, e era só pra falar de mim&#8230;Falei um pouco acabrunhada porque quem n<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>o tem vergonha de falar da própria vida? Só os sem-vergonha mesmo.E agora ela quer saber tudo de novo, a bunitinha. Sei n<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>o se vai dar certo. O povo dos brogues pode num gostar. Mas eu vou começar, n<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>o tem essa n<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>o, por apreço que tenho por ela, Janaína menina. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">O probrema é que nem sei por onde começar, ela que é letrada que vai aparar minhas idéias, né? Ent<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>o, vou falando que nem papagaio pra ver se aclara na lembrança alguma coisa de valor. Ela disse &#8220;comece falando da sua vida de casada&#8221;. Arriégua, pra quê? Deu uma amargura no peito. E minha vida de casada vai prestar pra esse mundo? Pois já prestou. Ela disse que sim, ent<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>o eu comecei. Primeiro eu disse assim olhando pra câmera, né, com meu cabelo arrumado, eu disse meu nome, Luiza. Mas tava sem um pingo de graça na cara. Tava meio boba, n<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>o é fácil falar assim da gente mesmo n<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>o, rapaz. Mas, ela disse que o importante era contar uma história. Ai,ai,ai,a coisa já teve boa! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD"><img class="aligncenter size-full wp-image-323" title="cruz" src="http://www.omundopequeno.com/wp-content/uploads/2009/11/cruz.jpg" alt="cruz" width="335" height="500" /><br />
</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">Pois eu disse que casei com uma criatura que Deus é mais, que me maltratou muito. Antes de casar m<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>e perguntou “cê quer casar ou quer uma máquina de costura?”Acho que já sabia que uma máquina de costura ia me fazer mais feliz que essa desgraça de marido que apareceu na minha vida. Pois eu tava cega, disse que n<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>o. Na época eu pensei que era melhor casar com um marido do que com uma máquina,né?</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">Mas, se hoje tivesse com a máquina ia ser costureira, né? N<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>o ia ser ter sido mulher de coisa ruim. Casei virgem, na igreja, enamorada.Mas, olhe, o casamento num teve jeito. O homem era brabo demais, me batia, era um c<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>o evenenado de ódio. Bebia que nem a besta fubana, e saia desbestado passando por cima de todo mundo. Eu n<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>o aguentei n<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>o,fiquei infeliz no amor,porque muié que aguenta essas barabaridades de um homem é porque tá doida ou tá precisada mesmo. Precisada de um macho. Mas quem quer apanhar a vida toda? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">No dia que fiquei viúva eu abri as portas da casa, pra entrar um vento, refrescar o juízo.Levei a cama pro meio da rua, a cama que a gente dormia, e quebrei a ela todinha com uma pauladas sufocadas, tac,tac, tac. Queimei o colch<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>o, marcado com as feridas daquele amor bandido,fiz fogo, fogueira e cinzas daquela história. Ai, mas me deu um alívio t<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>o grande, que cês nem sabem, viu? Vortei pra dentro de casa sem cama e sem colch<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>o, e sem amor, onde já se viu? E onde ia dormir aquela noite só Deus sabia. Olhei pro retrato da minha m<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>e santinha, no cantinho da parede e pensei, que sabedoria que uma m<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>e tem. A coitada parecia saber da minha infelicidade, que casamento é coisa que preste, rapaz! É por isso que muitas muiés se tornam costureira, logo entendi. Pra se livrar dessas desgraças da vida. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">Acendi uma vela,olhei mais uma vez pra minha m<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ã</span></span>e, com seu rosto de papel, seu sorriso fraco na foto, e fiquei pensando nela a noite toda. Dormi um sono de bêbado, trocando umas palavras no meio da noite,sabe lá Deus com quem.<span class="apple-style-span"><span style="color: black;"> </span></span>Acordei no outro dia toda mambulada, fraca das idéias. A minha desgraça era ser viúva de marido ruim, sem colch<span class="apple-style-span"><span style="color: black;">ão pra esquentar,</span></span>sem nem ter uma máquina pra costurar as feridas daquele amor. </span></p>
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		<title>Para os amigos que virão&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Nov 2009 15:18:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pam</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Meu Mundo]]></category>

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		<description><![CDATA[  

Sábado passado eu fui a um café em Headingley, bairro jovem de Leeds, onde a maioria dos estudantes se concentra.Pedi um café, que veio com cara de chuva, aguado, sem aroma - e como um café sem graça me faz perder a esperança&#8230;Mas, o importante naquele dia era sair de casa, ver gente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--[if gte mso 9]><xml> <w:WordDocument> <w:View>Normal</w:View> <w:Zoom>0</w:Zoom> <w:PunctuationKerning /> <w:ValidateAgainstSchemas /> <w:SaveIfXMLInvalid>false</w:SaveIfXMLInvalid> <w:IgnoreMixedContent>false</w:IgnoreMixedContent> <w:AlwaysShowPlaceholderText>false</w:AlwaysShowPlaceholderText> <w:Compatibility> <w:BreakWrappedTables /> <w:SnapToGridInCell /> <w:WrapTextWithPunct /> <w:UseAsianBreakRules /> <w:DontGrowAutofit /> </w:Compatibility> <w:BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4</w:BrowserLevel> </w:WordDocument> </xml><![endif]--><!--[if gte mso 9]><xml> <w:LatentStyles DefLockedState="false" LatentStyleCount="156"> </w:LatentStyles> </xml><![endif]--> <!--[if gte mso 10]> <mce:style><!    /* Style Definitions */    table.MsoNormalTable   	{mso-style-name:"Table Normal";   	mso-tstyle-rowband-size:0;   	mso-tstyle-colband-size:0;   	mso-style-noshow:yes;   	mso-style-parent:"";   	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;   	mso-para-margin:0cm;   	mso-para-margin-bottom:.0001pt;   	mso-pagination:widow-orphan;   	font-size:10.0pt;   	font-family:"Times New Roman";   	mso-ansi-language:#0400;   	mso-fareast-language:#0400;   	mso-bidi-language:#0400;}  --> <!--[endif]--></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<div id="attachment_317" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img class="size-full wp-image-317" title="foto-roma" src="http://www.omundopequeno.com/wp-content/uploads/2009/11/foto-roma.jpg" alt="Amizade é...se assemelhar ao outro, sem deixar de ser diferente..." width="400" height="268" /><p class="wp-caption-text">Amizade é...se assemelhar ao outro, sem deixar de ser diferente...</p></div>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">Sábado passado eu fui a um café em Headingley, bairro jovem de Leeds, onde a maioria dos estudantes se concentra.Pedi um café, que veio com cara de chuva, aguado, sem aroma - e como um café sem graça me faz perder a esperança&#8230;Mas, o importante naquele dia era sair de casa, ver gente na rua, me sentir menos bicho&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">Ao meu lado duas mulheres jovens – uma delas com um bebê no colo – conversavam de um jeito manso que as pessoas<span> </span>adquirem no frio.Falavam um espanhol macio, que demorei a entender pela mistura de sons, máquina de café, os passos da chuva na calçada e a música de fundo embalando a tarde daquela <em>petite</em> <em>cafe-gallery</em>.<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD"><span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">Sentei num sofá em frente a elas, de um jeito que podia observá-las fingindo vigiar o movimento na rua.Poderiam ser irm</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">ã</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">s ou<span> </span>primas,pensei, pela semelhança física: as duas tinham pele clara, cabelo escuro,sorrisos de gengivas.Talvez nem parecessem tanto,repensei, mas podiam ser exemplos desses tipos de amizade onde um se assemelha a custa da outro. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">Eram duas amigas que se encontraram para aproveitar uma tarde de chuva aquecidas por um café. Existe algo mais simples que dividir uma tarde dessas com uma amiga? Para mim, que ainda n</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">ão encontrei essa metade apesar de morar aqui há mais de um ano,era tão simples quanto piegas. </span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">Olhava de relance, disfarçando uma minha ligeira comoç</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">ã</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">o, folheando um livro que alcancei na estante ao meu lado - n</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">ã</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">o podia passar a tarde contemplando duas amigas na chuva. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">Houve um momento de silêncio, interrompido em seguida pelo choro do bebê, sendo consolado n</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">ão pelos braços maternos, mas</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD"> pelos da amiga,<span> </span>dona de uma confiança exalada. A outra, com olhos de intuiç</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">ão,</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD"> parecia saber que diante dela havia uma grande mulher, uma confidente e protetora que podia acalmar n</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">ão apenas o seus choros, mas o choro da sua própria cria. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">De repente,a criança parou de chorar e voltou para os braços da m</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">ã</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">e. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">É t</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">ã</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">o forte essa relaç</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">ã</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">o entre amor e amizade. Ter um amigo é provar uma das experiências que o amor oferece.Todos os amigos verdadeiros mereciam uma carta de amor, uma revelaç</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">ã</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">o sincera do que significam nas nossas vidas. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">Eu sinto falta das companhias sinceras, uma falta que me faz emudecer diante de desconhecidos que andam lado a lado e se olham com gosto de n</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">ã</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">o se soltarem nunca; dos que riem com a graça do mundo, que se abraçam e se misturam em carne e osso, sem medo de apertar; ou diante de um simples encontro cara a cara, um mexer devagar na xícara, adoçar o café, olhar pela janela e sentir ao lado uma testemunha da sua vida.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">Confesso que com um pouco de preocupaç</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">ã</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">o, admirei a calma e cumplicidade entre as duas mulheres. N</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">ã</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">o queria ser uma delas, queria ser amiga das minhas amigas, as que se assemelharam a mim pela convivência.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">Entre um gole e outro de café, me senti t</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">ã</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">o ingênua na minha esperança, folheando páginas de sonho, acalmada por uma idéia de falsa comunh</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">ã</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">o</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">.Quem sabe eu até me se senti uma amiga de tantas outras que entravam e saiam donas dos seus segredos?.. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">Sem querer deixar o lugar antes da dupla de amigas,passava as páginas com m</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">ã</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">os de caramujo, devagar e profunda, mas pronta para voltar à realidade.Chovia como sempre e decidi ir embora. N</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">ã</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">o queria me sentir evasiva,viver num mundo de ilusoes cansa&#8230;É mais consolador ser sentimental, mas o mundo n</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">ã</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">o está pra poesia ultimamente. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">Me recompus, ajeitando a realidade como se fosse uma moldura torta, e me vi sinceramente com uma nova esperança.Os amigos distantes seguem eternos e<span> </span>frequentes, sei que posso contar com eles</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">.</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD"> Os futuros amigos surgir</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">ã</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">o de alguma parte como se tivessem cansados de me esperar.<span> </span>E vai existir pelo menos um, que eu possa contar de verdade, e que acredite em mim com uma confiança uterina, como quem acha na multid</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">ã</span><span style="font-family: Verdana;" lang="ES-TRAD">o um correspondente consanguíneo. </span></p>
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		<title>Nossso destino é a Muralha da China</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 18:57:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pam</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Mundo Literário]]></category>

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		<description><![CDATA[No dia que eles se conheceram ela estava decidida a viver uma história de amor. Ele nem parecia o tipo de homem que ela buscava, tinha cara de aventureiro, sem predisposição para amar, tinha cara de quem nunca se apaixonou. Mas, no dia que se conheceram ela havia decidido viver a sua história.
Dois anos se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span lang="ES-TRAD">No dia que eles se conheceram ela estava decidida a viver uma história de amor. Ele nem parecia o tipo de homem que ela buscava, tinha cara de aventureiro, sem predisposiç</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o para amar, tinha cara de quem nunca se apaixonou. Mas, no dia que se conheceram ela havia decidido viver a sua história.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"><span lang="ES-TRAD">Dois anos se passaram, entre brigas, promessas de vingança, voltas turbulentas. Ela n</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o sabe o que aconteceu. Mas que espécie de relaç</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o era aquela? Nunca se sentia<span> </span>confortável consigo mesma, nem pra dizer o que pensava, ou como se sentia.</span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"><span lang="ES-TRAD"><span lang="ES-TRAD">Separaram-se no dia que ela descobriu que ele tinha outra, “mas logo ele que n</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o tem aptid</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o pro amor”, agora surgia entregue a uma outra paix</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o, e o que mais doía, parecia haver descoberto o amor.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"><span lang="ES-TRAD"><span lang="ES-TRAD"><span lang="ES-TRAD">“Quantas vezes implorei pro sacana me escrever uma carta de amor”, jogou sua decepç</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o pra fora. Ele sempre respondia com uma palavras amassadas, sem nem pronunciá-las direito, que n</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o precisava declarar seu amor, nem escrever carta nenhuma, seu coraç</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o era um livro aberto.</span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"><span lang="ES-TRAD"><span lang="ES-TRAD"><span lang="ES-TRAD"><span lang="ES-TRAD">“Uma mulher pode ser romântica, mas um homem, nossa, consegue ser de um jeito t</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o brega”, esbravejou.</span></span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Rasgou aquela carta, que ela encontrou foçando nos papéis dele. Uma carta de amor feita por ele, com sua própria letra, com seu próprio sentimento.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">N</span><span lang="ES-TRAD">ão demorou para que caísse</span><span lang="ES-TRAD"> uma chuva de gritos no telefone.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"><span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“Você n</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o podia ter feito isso, mexer nas minhas coisas”.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“É uma carta de amor. E n</span><span lang="ES-TRAD">ão deve ser para mim porque eu não tenho um sorriso doce.Quem usa aparelho tem um sorriso acre, de grampo mesmo”,disse irônica.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“Sei. Seu sorriso é diferente mesmo”, ele rebateu num tom de deboche.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“É, acabou-se o tempo dos sorrisos poéticos entre nós dois”, falou sem medo de ser ridícula. E completou: “Mas, sabe o que me deixou mesmo<span> </span>intrigada?”.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“O quê?”</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“Fiquei preocupada com você. Onde você conheceu essa garota.Olha, pelo nome dela, <em>Aretuza</em>, se eu fosse você dava uma conferida antes de se envolver&#8230;isso é nome de pu”&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Ele desligou o telefone. </span><span lang="ES-TRAD">Ela ela saiu correndo da casa dele, se desmanchando na multid</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o, sentindo uma dor plácida crescer dentro dela até se transformar num sofrimento t</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o febril que lhe desbotava a cara.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Se sentia t</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o violenta,dona do seu sofrimento, não tinha sossego. Entrou no ônibus e passou a encarar todas as pessoas,ao seu redor, com um olho grosso de raiva, mostrando seu abandono. Olhava para as pessoas com tanto desprezo, como se no meio delas tivesse encontrado a responsável pela seu dissabor.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"><img class="aligncenter size-full wp-image-305" title="o-beijo" src="http://www.omundopequeno.com/wp-content/uploads/2009/11/o-beijo.jpg" alt="Picasso" /></span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“Ele fez uma carta de amor”, rangeu os dentes, se tremendo toda. E seguiu:“quem diria depois de dois anos o que eu ia receber? Uma carta de amor!”, riu desgarrada no meio de tantos rostos cansados. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Desceu do ônibus complacente, já dona do seu próprio desconsolo.Caminhou<span> </span>com seu corpo desossado, molengo, se arrastando pelas paredes, levando um pouco do mundo consigo, pra n</span><span lang="ES-TRAD">ão </span><span lang="ES-TRAD">chegar em casa t</span><span lang="ES-TRAD">ão vazia&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Parou um momento no meio da rua e falou sozinha, enrolando os fios de cabelo demoradamente, com dois olhos perdidos na calçada, como já num estado avançado de afliç</span><span lang="ES-TRAD">ão</span><span lang="ES-TRAD">, desbotou-se e chorou derramada na própria agonia. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Como é que se cura uma dor dessas? Porque dói tanto?, pensava.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“Filho de todas as m</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">es, por isso que ele estava assim todo estranho&#8230;”, pensou azeda. “Bem que minha m</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">e dizia, quando um homem anda meio calado, pensativo&#8230;se n</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o quiser se magoar, n</span><span lang="ES-TRAD">ão faça</span><span lang="ES-TRAD"> nenhuma pergunta”, repetiu com o tom de voz de alguém mais velho.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Mas, ela fez. E ele disse que n</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o a queria mais. N</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o me quer? E ela murchou, como uma flor tirada no asfalto. Mas uma flor sem poesia. Ele n</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o queria mais se envolver. Por que? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“Porque você é muito simples, quer casar, ter filhos. Como você existem muitos por aí. E você vai encontrar outra pessoa logo,logo, porque você é t</span><span lang="ES-TRAD">ão docemente fácil”, ele falou sem piedade. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“E você?”, ela perguntou sofrida.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“Eu quero outra vida. E recebi uma proposta. Viajo no próximo mês”.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“Pra onde? Com quem?”, perguntou já sem medo de se magoar.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“Viajo pra China, sozinho,e vou passar um ano”.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Foi aí que ela se apagou de vez, o que restava de mulher diante dele se desvaneceu. Sua voz foi afinando até se atracar com um nó na garganta, que ele segurou até que chegar em casa&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Chorou tanto, um choro ardido, que <span lang="ES-TRAD"> seu rosto brilhava. Ligou várias vezes, para o celular, para casa, mas ele n</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o atendeu.</span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Até que horas depois bateu na porta dele, com uma voz rouca, e uma pele manchada de choro, com placas vermelhas&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Naquela noite discutiram mais uma vez, e sem ter encontrado ainda nenhuma carta, fez a pergunta que todas as mulheres fazem nessa hora: “é outra?”. E ele como se já esperasse negou, como um homem de verdade negaria, e mudou de assunto.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Ele teve que sair para trabalhar. Deixou– a dormir na sua casa aquela noite, sem problemas.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Já era tarde, ele tinha que cumprir o turno da noite e n</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o tinha pena. Que ela dormisse seu sono infeliz, com tanto que n</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o ficasse no outro dia pro café da manh</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Nessa noite ela encontrou a carta e voltamos ao começo. Além disso, encontrou a foto da dona da carta. Uma mulher mais nova, loira, “sem graça, de cabelo lambido”. Na foto os dois estavam abraçados, e o mais triste foi constatar que eles pareciam donos de uma felicidade que ela nunca experimentou ao lado dele. Era uma abraço de quem esqueceu da solid</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Ela leu a carta, e achou a letra dele infantil,de quem nunca se aventurou muito no amor. Mas,n</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o era uma simples carta de amor, era uma declaraç</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o a si mesmo, como se agora sim,ele houvesse constatado, que o amor, o verdadeiro amor, existia.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Ela ligou pra ele em seguida. Depois de discutirem durante uns quinze minutos, ele a expulsou de casa. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Quem disse que ela saiu? Passou a noite como um bicho estranho, se rastejando pelos cantos da casa. No dia seguinte, cedinho, se levantou como embriagada pela noite de excesso que passara e saiu como se tivesse invadido aquele apartamento, sem deixar rastro. N</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o deixou recado na geladeira, nem cama desfeita. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Ajeitou a cozinha, o sofá, trocou a toalha suja do banheiro, exercendo sua última funç</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o de companheira daquele homem, um pouco de m</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">e,dona do lar, mamífera, mulher.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Quando saiu à rua, disparou uma revolta grande, corpulenta. Saiu atirando tudo que via pela frente, chutando lata, garrafa, parecia um furac</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o humano, perturbando as primeiras horas do dia. Eram quase seis e meia da manh</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD"> e ela teve que enfrentar um ônibus lotado.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“Ah, eu mereço descobrir uma traição<span lang="ES-TRAD"> e ver tanta gente de uma vez só!”</span><span lang="ES-TRAD">, gritou como que esfomeada. Tinha fome de que a notassem.</span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">E foi sem pudor que disse a si mesma, “n</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o quero saber de amar ninguém, homem gosta de vagabunda mesmo!”</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Entrou no ônibus chutando o ar. Teve raiva de ver o cobrador contando dinheiro, “aí, todo sentado, tranquilo”, da velhinha que se equilibrava nas curvas, “aí, essa toda desequilibrada”, gritava como se quisesse arrumar confus</span><span lang="ES-TRAD">ão.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Talvez ela até tenha recebido uma carta de amor alguma vez, mas n</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o lembra de ter sido amada. Amada do jeito que ela queria ser, como uma maneira de se aceitar. “Ninguém nunca me amou, nunca”, falou com uma criança ao seu lado. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Estava de um jeito que era mais fácil consolar uma pedra. Muda de raiva, n</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o podia lembrar daquela foto, das palavras de açúcar, da paix</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o de cachorra louca que sentia por ele. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“Quero matar aquele safado!”, rosnou com um bafo de fera.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">O ônibus parecia mais apertado e ela se encolhia de dor. Mas de repente, se deu conta que a dor  mais aguda era recordar que ele ia pra China, com amor, com carta– era a ida à China e todas as esperanças estavam mortas.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Minutos depois, uma idéia pareceu iluminar seu rosto. “Quando os amigos perguntarem eu vou dizer que a gente acabou por uma carta de amor&#8221;,pensou.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“Uma carta de amor? Mas eu pensei que toda mulher gostasse de receber uma”, perguntou uma amiga, intrigada.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“Pois é.As mulheres est</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o cada vez mais exigentes, né? O cara chega citando  Camoes, e a gente n</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o tolera mais, né?”, disse irônica e um pouco louca, depois da quarta taça de vinho.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Ela sabia que alguns relacionamentos v</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o se acabando aos poucos, t</span><span lang="ES-TRAD">ã</span><span lang="ES-TRAD">o lentamente como se cada um construísse pedra por pedra esse fim.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">E é que existem finais que parecem mais extensos que todo o caminho que um casal percorre junto, “alguns finais n</span><span lang="ES-TRAD">ão </span><span lang="ES-TRAD">têm atalho, s</span><span lang="ES-TRAD">ão longos&#8230;</span><span lang="ES-TRAD">e o destino do nosso fim, cá entre nós, era uma Muralha da China”, disse com sua voz ébria, com essa mania que tinha de falar quando já ninguém mais a escutava&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">**<em> Pintura : o beijo,Picasso. </em></span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Bono, o cachorro com alma&#8230;</title>
		<link>http://www.omundopequeno.com/2009/11/03/bono-o-cachorro-com-alma/</link>
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		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 22:17:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pam</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Meu Mundo]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu sempre gostei de cachorros por eles serem espontâneos, dispostos e positivos. Já com gatos  eu nunca simpatizei muito. Gato se assemelha muito à nossa raça, atua como leão dominando o seu território; é curvado, imprevisto, rodeia muito para dizer o que quer, é introvertido, anguloso e tem uma fisionomia impassível, que a gente encontra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu sempre gostei de cachorros por eles serem espontâneos, dispostos e positivos. Já com gatos  eu nunca simpatizei muito. Gato se assemelha muito à nossa raça, atua como le<span><span>ão dominando o seu território; é </span></span>curvado, imprevisto, rodeia muito para dizer o que quer, é introvertido, anguloso e tem uma fisionomia impassível, que a gente encontra em certas pessoas, com dois olhos que n<span><span>ã</span></span>o dormem.</p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Acho que n<span><span>ã</span></span>o confio nos gatos porque eles guardam esse ar de mistério, s<span><span>ã</span></span>o interesseiros e n<span><span>ã</span></span>o sabem agradecer um carinho. Os cachorros, n<span><span>ã</span></span>o, têm olhos de doar. Se aproximam mesmo quando n<span><span>ã</span></span>o s<span><span>ã</span></span>o chamados e sorriem, sorriem sempre. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Eu nunca tinha me dado conta, até o dia que uma amiga me mostrou que seu cachorro pequeno sorria. Eu olhei pra ele com o sorriso lá dentro de mim e<span> </span>constatei mais tarde: n<span><span>ã</span></span>o é que ele sorria como quem ri pra se esconder da tristeza? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Um dia meu pai inventou de arrumar um novo cachorro para fazer companhia ao mais velho que tínhamos, Puppie. No dia que Beethoven, como assim era chamado, chegou lá em casa, eu esperava ansiosa por um dálmata, quem sabe um labrador&#8230;<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span lang="ES-TRAD"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span lang="ES-TRAD">Mas, que nada! Aquele cão, batizado no Campo da Vila, no interior de Sergipe,</span></span><span lang="ES-TRAD">n<span><span>ã</span></span>o tinha nada que lembrasse a elegância desses cachorros que passeiam com seus donos pelos parques. Ele chegou afobado, com nâuseas que o deixaram com um aspecto torpe de pessoa embriagada, com um pêlo sujo e afiado, um cachorro-espinho.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Tinha um pêlo meio grisalho,apesar de ser muito novinho, e aparência de um homem de barba mal feita entregue à sorte. Andava com suas patas cambaleantes e equilibrando o sorriso no rosto. Ele nos olhou, balançou o rabo lento, como se nos cumprimentasse por educaç<span><span>ã</span></span>o, parecia cansado, de um cansaço triste, pela viagem longa demais, pelo vômito, pela mudança de lar&#8230; <span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">A gente o levou até o jardim, se me lembro bem,a contragosto.Ele parecia feio demais, magro demais, cinza demais, cachorro demais. Vinha um, vinha outro,olhava para ele com um olhar de gato e o depreciava&#8230;&#8221;ai, tadinho&#8230;feio, né?” Mas, ele como que já recuperado da sua ressaca, n<span><span>ã</span></span>o se intimidava. Pelo contrário, sentou-se no ch<span><span>ã</span></span>o de pedra seca, se esticou e balançou o rabo, feliz, como se ignorasse o que dizíamos. Depois fez um pouco de graça, se levantou, lambeu, chegou mais perto, <span> </span>parecia uma pessoa que, cansada de sofrer, decidiu transformar ofensas em carinho.</span></p>
<p class="MsoNormal">
<div id="attachment_295" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-295" title="cachorro11" src="http://www.omundopequeno.com/wp-content/uploads/2009/11/cachorro11.jpg" alt="ME LEVA PRA CASA?" width="500" height="444" /><p class="wp-caption-text">ME LEVA PRA CASA?</p></div>
<p>Nessa mesma noite eu o batizei <em>Bono</em> e ele aceitou o seu nome como se soubesse que era bom de verdade, um cachorro com alma.</p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Com o tempo eu passei a amar aquele vira-lata de pêlo amassado, um feroz exíguo, meio atrapalhado, que dava saltos treinados no ar, malabarista, e eu passei a chamá-lo de cachorro de circo. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Um dia eu descobri que Bono n<span><span>ã</span></span>o era apenas um cachorro que ria estático, que corria atrás de quem passasse na rua, guadi<span><span>ã</span></span>o da nossa casa; ou aquele que cativou nossos coraçoes. Ele era t<span><span>ã</span></span>o confiante e audaz (se atreveu a fazer xixi nas minhas costas duas vezes!) que tinha certeza daquela conquista&#8230;e devia debochar das nossas visitas ao passado:“Ah, n<span><span>ã</span></span>o, eu nunca disse que ele era feio.Mas, em compensaç<span><span>ão,</span></span> todo mundo disse”&#8230; </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Bono tinha uma alma em segredo, que vigiava os sentimentos de quem frequentasse aquela casa. Eu tinha mania de  ficar no banco do jardim pensando na vida. Um dia eu sentei ali, mas n<span><span>ã</span></span>o pensava em nada. Iluminada por uma tristeza, me sentia sozinha e chorava de dores que já nem lembro. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Foi quando Bono se aproximou e como se me perguntasse o que aconteceu, subiu no banco e ficou ao meu lado, respirando o mesmo ar triste, com seus dois olhos de consolo. Só saiu de perto quando me viu sorrir, já mais animada, e agarrar o seu pêlo, do jeito que eu fazia, como se segurasse duas bochechas macias. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">E assim ele era com todo mundo. Sensível, n<span><span>ã</span></span>o suportava o peso de uma lágrima no ch<span><span>ã</span></span>o, parecia saber o que era dor, dono de um coraç<span><span>ã</span></span>o de pétalas..quantas vezes Bono se aproximou, colou seu rostinho na minha perna, se enroscando até encontrar uma posiç<span><span>ã</span></span>o confortável, geralmente no meu colo&#8230; Ah, quantas vezes ele consolou coraçoes decepcionados, cansados da vida, por n<span><span>ã</span></span>o suportar ver uma ausência no rosto do outro. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">No dia da sua morte ele parecia haver ensaiado suas últimas horas sem esquecer de nenhum detalhe: acordou feliz, brincou, deu seus últimos pulos, já a um passo das nuvens, fez sua última refeiç<span><span>ã</span></span>o.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Depois foi dormir, e dentro do sonho ele saiu da sua vida ileso, em silêncio, sem dor. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Eu n<span><span>ã</span></span>o o via há um ano, e a notícia da sua morte  foi t<span><span>ã</span></span>o violenta que chorei desaguando uma dor nova dentro de mim, a da perda, sentada numa cadeira,murcha e amparada pelo homem que leva a sério minhas dores infinitas, pelo homem que Bono confiaria deixar no seu lugar como o mais novo companheiro das minhas lágrimas.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">(E alegrias também, meu cachorro de circo)</p>
<p class="MsoNormal">P.S.  O cachorrinho da foto n<span><span lang="ES-TRAD">ã</span></span>o é o Boneco ( eu também o chamava assim). Mas é fofo, né?</p>
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		<title>Encontros e contratos</title>
		<link>http://www.omundopequeno.com/2009/10/27/encontros-e-contratos/</link>
		<comments>http://www.omundopequeno.com/2009/10/27/encontros-e-contratos/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 27 Oct 2009 21:05:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pam</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Mundo Literário]]></category>

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		<description><![CDATA[Sempre imaginei como seria um encontro com um escritor famoso. Não me refiro a um encontro formal, por detrás de páginas de livros autografados, ou de frases soltas roubadas numa entrevista. Mas, um encontro de ombros lado a lado, com pausas na caminhada, com pétalas e páginas, numa tarde de outono vendo as folhas que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sempre imaginei como seria um encontro com um escritor famoso. N<span><span>ã</span></span>o me refiro a um encontro formal, por detrás de páginas de livros autografados, ou de frases soltas roubadas numa entrevista. Mas, um encontro de ombros lado a lado, com pausas na caminhada, com pétalas e páginas, numa tarde de outono vendo as folhas que caem do céu e voam como pássaros quebrantados.</p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Já tive o sonho de conhecer Clarice Lispector, de abraçar Drummond,ou de recitar um poema com Manuel Bandeira, “Parságada, meu caro, é para lá que todos ir<span><span>ã</span></span>o”. Já desejei,de verdade,tomar uma dose de <em>haikai </em>com Paulo Leminski, entrar na cabeça de Lewis Carroll, dar um passeio no submundo de Dostoyevsky, ler bem alto <em>Um amigo de Kafka</em>,de Isaac Singer, e recuperar a esperança na vida, com as páginas de uma nova história ondulando na palma da minha m<span><span>ã</span></span>o, como um corpo avançando o mar, desafiando as ondas, sua força insípida. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Ah, sim, todo leitor tem um sonho de salvaç<span><span>ã</span></span>o, um desejo de encontrar a verdade. Todo leitor se arrepia com a intimidade que se estabelece, às vezes promiscuamente, com o seu escritor favorito. Que leitor n<span><span>ã</span></span>o leu Nelson Rodrigues e se olhou no espelho, com aquele olhar sem pudor que prevê uma fatalidade? Que leitor n<span><span>unca </span></span>criou uma ligaç<span><span>ã</span></span>o infinita com o seu escritor preferido,já se <span> </span>sentiu entendido, enfeitiçado por uma verdade que às vezes só existe na imaginaç<span><span>ã</span></span>o do próprio criador? Quem nunca se envolveu e se deixou seduzir por uma história<span><span>?</span></span> Eu mesma chorei de raiva quando o escritor misterioso do <em>A noite do oráculo,</em> de Paul Auster, decide trair sua mulher.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">A ilus<span><span>ã</span></span>o é o contrato entre leitor e escritor; no momento em que o leitor abre o livro, lê a primeira página, ele se entrelaça no mistério da vida, é como dar as m<span><span>ã</span></span>os a um estranho que parece nos conhecer t<span><span>ão a fundo</span></span>, daquela maneira de se conhecer alguém escancarando as portas. <span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Eu já aceitei esse convite tantas vezes. E até já ouvi histórias de leitores que deram mais que um pedaço de carne, venderam a alma. O meu primeiro encontro violento aconteceu há muito tempo, com Clarice Lispector. Quando eu a lia, eu tinha vontade de chorar, amarrada que estava à sua essência, violada pelo desejo de ser Clarice. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Mas, haviam muitas Clarices espalhadas. Aos poucos, eu entendi que existia um sentimento de Clarice em muitas mulheres, muitas  a sentiam na pele, e eu achei que fosse apenas mais uma leitora - mas uma leitora de olhos desconsolados e tímidos.E com uma felicidade de ombros encolhidos. Amo Clarice,mas quando leio (ou releio) os seus textos, eu sou a mesma, ela só me empresta os seus olhos. E depois saio livre e cega pra minha realidade.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"><img class="aligncenter size-full wp-image-283" title="Lygia Fagundes Telles" src="http://www.omundopequeno.com/wp-content/uploads/2009/10/lygia-fagundes.jpg" alt="Lygia Fagundes Telles" width="300" height="392" /><br />
</span></p>
<p class="MsoNormal">Mas, existem os encontros inocentes (ou n<span><span>ão)</span></span>. Um dia meu irm<span><span>ã</span></span>o trouxe da biblioteca o livro <em>As meninas</em>, de Lygia Fagundes Telles, e eu soube  que ali estava a minha salvaç<span><span>ã</span></span>o.N<span><span>ã</span></span>o tinha idéia do que me salvava, se do tédio dos meus 17 anos, ou da ansiedade de crescer e avançar para o mundo. Desde a primeira página eu sabia que aquela leitura era especial, uma certeza borbulhava dentro de mim.</p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Durante alguns dias eu fui uma das meninas de Lygia, eu contei com elas, eu escrevi do jeito que elas falavam, a gente se entendia muito bem&#8230;Até que eu terminei o livro, mas foi um término contente&#8230;Eu continuava a menina dentro das meninas&#8230;Depois, o meu desejo foi ler mais dessa escritora, que conta uma história de uma maneira t<span><span>ã</span></span>o especial que a gente se belisca para sair da pele do personagem. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Eu nunca pensei em conhecer Lygia Fagundes Telles, pra mim já me bastava a força com que atava minhas m<span><span>ãos às dela</span></span>. E tinha sempre uma efipania de um conto seu, que pra mim era um conto verde, de purpurina, de uma alegria desesperada que só existe no carnaval&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Eis que um dia esse encontro chegou e eu nunca soube como escrevê-lo e talvez até tente outros rascunhos. Foi na primeira ediç<span><span>ã</span></span>o da feira literária de Paraty, no Rio de Janeiro, a hoje conhecida Flip. Na época eu era estagíaria de jornalismo, ansiosa e insegura. Pedi pra trabalhar na Flip na cara de pau  e eles aceitaram, me deram crachá, acesso à sala dos jornalistas, computador, etc. Me facilitaram entrevistas com alguns escritores, como Marcelino Freire, coletiva com Paul Auster, etc&#8230;Mas, eu queria entrevistar Lygia, ela sim. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Numa tarde fresca em Paraty, eu saí em busca da autora de <em>Ciranda de Pedra</em>. Levava debaixo do braço o seu livro mais recente de contos, que eu queria ver autografado. Uma mulher me levou até o hotel onde ela estava hospedada. Numa das ruas de pedras de Paraty, de frente para um port<span><span>ão de madeira,eu a esperava, debaixo de uma chuva fina, com meu coração grosso, quente e palpitante. </span></span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span lang="ES-TRAD">Depois de uns minutos, Lygia apareceu acompanhada do seu acessor, muito elegante, como se saísse de um lugar onde o tempo não existisse. Surgiu como a responsável dos meus dias serenos de leitura, de felicidade embevecida; como dona da minha  lucidez àquela idade, surgiu a escritora.</span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span lang="ES-TRAD">Lygia me cumprimentou muito simpática, suas palavras tinham perfume. Disse num tom familiar que Paloma era o nome da namorada do seu filho, Paloma Rocha, e me senti gêmea dessa outra, um pouco sua nora também. </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span lang="ES-TRAD">Ela tinha um objetivo àquela tarde: encontrar um cachorro (vi muitos perambulando pela cidade) para dar –lhe um bombom embalado em papel celofane verde. Lygia me deu sua mão e saímos de braços colados, caminhando em busca do destino esverdeado. Ela não queria dar entrevistas. Queria uma companhia sincera. No meio do caminho uma bandinha atropelou nossa caminhada e Lygia aplaudiu aquele mini carnaval. Andávamos sem pressa.</span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span lang="ES-TRAD">Lygia autografou meu livro, escreveu uma mensagem linda. Tive a impressão de que entramos num laberinto, que era um sonho, tão absurda e feliz que me sentia. “Eu preciso registrar isso, tirar uma foto, senão vou achar que é sonho”, pensei o caminho todo. E olhava de relance para ela, presa ao meu lado com suas mãos de laço. </span></span></p>
<p><span><span lang="ES-TRAD">Nas noites da minha infância quando eu dormia com minha mãe, só conseguia pegar no sono se segurasse bem forte as mãos dela, para que ela não me escapasse. Mas, eu sempre amanhecia solta, sem minha mãe ao lado.<span> </span>Quando eu dei mão e braço à Lygia, eu senti o mesmo medo infantil de acordar no dia seguinte para um mundo sem proteção.</span></span></p>
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		<title>Tempo lento&#8230;</title>
		<link>http://www.omundopequeno.com/2009/10/20/tempo-lento/</link>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 20:54:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pam</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Little Britain]]></category>

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		<description><![CDATA[
“Certas vezes nós devíamos ser  aconselhados a não sair de casa”, foi o que ela pensou nas últimas horas do seu dia. E não pensou que fosse preciso consultar os astros, horóscopo, não. “É assunto do ministério da saúde mesmo”, pensou com a  cara fechada pra ela mesma, enquanto passava o ferrolho na porta.
Ela devia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">
<div id="attachment_264" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-264" title="tempo-derretido" src="http://www.omundopequeno.com/wp-content/uploads/2009/10/tempo-derretido-300x218.jpg" alt="Salvador Dalí" width="300" height="218" /><p class="wp-caption-text">Dá para derreter o tempo...</p></div>
<p>“Certas vezes nós devíamos ser  aconselhados a n<span><span>ão</span></span> sair de casa”, foi o que ela pensou nas últimas horas do seu dia. E n<span><span>ão pensou que fosse preciso consultar os astros, horóscopo, </span></span>n<span><span>ão. “É assunto do ministério da saúde mesmo”, pensou com a  cara fechada pra ela mesma, enquanto passava o ferrolho na porta.</span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span lang="ES-TRAD">Ela devia ter ouvido aquela vozinha lá dentro, “</span></span><span lang="ES-TRAD">N<span><span>ão</span></span> sai de casa, criatura. Hoje vai chover peixe”, como no livro daquele escritor japonês que ela leu há algum tempo. Mas, inventou de seguir aquele caminho de folhas mortas no ch<span><span>ão</span></span>, por onde o <span> </span>vento passa preguiçoso, arrastando uma sujeira peneirada..</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Correu pra n<span><span>ã</span></span>o chegar atrasada, como se marcasse ponto, mas onde trabalha n<span><span>ã</span></span>o marca nada, só as roupas que saem, as roupas que entram&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Ela n<span><span>ã</span></span>o teve nem fôlego para dizer boa tarde, estava cinzamente calada. Mas, se deu conta de que tinha chegado duas horas antes de começar o trabalho. Sempre chegava adiantada nos lugares: ela já chegou um dia antes para uma consulta com o oftalmologista, que deve ter pensado que  a pobre não enxergava bem as horas, as datas, os dias&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“Quando chove assim, eu preciso comprar um livro. É como falar com alguém”. Foi aí que ela decidiu aproveitar o tempo livre e passar numa livraria para arrumar conversa. Acabou comprando um livro de jazz, depois decidiu estender aquele papo pra um <em>café</em> ali perto, ai, como a “solidao rende assunto” e almoçou naquele bar que se orgulha do seu serviço cronometricamente demorado – porque foi assim que ele se tornou popular. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Se chama<em> Café Lento</em>, nome que n<span><span>ã</span></span>o representa nada para qualquer cidad<span><span>ã</span></span>o inglês, mas para ela, defensora dos pormenores,lento é como uma tarde de sol deve ser, como uma brisa num dia abafado deve existir, como deve ser o tempo dedicado aos pequenos prazeres. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Para ela, sim, uma lentid<span><span>ã</span></span>o de café, um gr<span><span>ã</span></span>o de tempo na sua vida pra que ela pudesse mudar as coisas que a incomodam nesse momento: a chuva, “ai que tema constante na história da minha vida”, os dias que agora encurtaram&#8230; &#8220;amanheceu e estava escuro”, lembrou. Olhou pela janela aquele mundo emparedado lá fora, tombou e voltou a dormir; chegou em casa às cinco e meia e já estava escuro novamente.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">E chovia,claro. Ela detesta os dias de chuva porque quando chove as pessoas emudecem, ficam pálidas. E n<span><span>ã</span></span>o tem quem aguente a cidade em silêncio. Nenhuma buzina, os carros passam como se fossem feitos de papel. A cidade é um cenário. “Veja aquele senhor de cara torta, com a boca toda engolida”, observou.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Mas, o que mais azucrinou a sua cabeça é que ninguém chegou pra ela e disse: minha querida, fique em casa, porque sendo assim você não terá sua bicicleta e seu celular roubados, n<span><span>ã</span></span>o vai quebrar aquele vaso que você comprou, quando corria cega no meio da chuva, n<span><span>ã</span></span>o vai chegar em casa e notar que tentaram entregar aquela encomenda que você tanto esperava, nem vai ter que limpar nem chorar o café derramado.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">N<span><span>ã</span></span>o deu tempo, “já basta”, ela pensou enxugando a raiva. “Passou, vou tentar ler o livro de jazz”. Com que cabeça? E volta tudo outra vez. Ela no café lento, de frente pro balc<span><span>ão, “hello, alguém aí?”, no lento espaço, </span></span>com um dono, que sempre muito etéreo, parece ter vindo de um mundo onde as pessoas se rastejam. Dessa vez ele surgiu de cima do teto, desceu a escada com um vigor fugaz e ela se assustou: “ai, nao tinha visto que você estava aí em cima”, disse com uma naturalidade de quem bate na porta de um amigo pra pedir um pouco de café.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span>E o dono como se n<span><span>ã</span></span>o ouvisse, soltou um </span><em>Good morning, may I help you?, </em>meio decorado<em>.</em><span> </span><span lang="ES-TRAD">Ela só queria paz para ler o livro e tomar um café. Aliás, foi atraída pelo ambiente daquele <em>café (é assim que eles chamam aqui, vamos num café? pra tomar café) </em>agradável, cool. Mas, fazia barulho demais, a música era brasileira, um trio mocotó, parapapá,ela achou que conhecia esse grupo quando o dono falou. <span> </span>Trocou o café por  algo leve,e comeu uma salada, como sempre. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">O dono lhe perguntou onde havia comprado aquele livro que ela segurava com tanto prazer. Ela respondeu com entusiasmo, &#8220;ah, num sebo!&#8221;, e descobriu que uma banda de jazz ia tocar na próxima sexta, naquele café lento. Depois da conversa veio a bebida,uma coca-cola diet sem gelo, porque já basta de frio. No final das contas não deu tempo pra ler nada. Só deu pra sentir a demora com que ela passava cada página, folheando, t<span><span>ã</span></span>o lenta que se achava naquele momento, sem nada que lhe desse conforto.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> Comeu sua salada sem ritmo. Será que faz mal ter tanta pressa? Faz mal é tardar pra entender as coisas da vida&#8230;Faz mal é querer fazer algo e se sentir envergonhada. Mas a lentid<span><span>ã</span></span>o também prejudica, se apressar pra chegar no fim do caminho, n<span><span>ã</span></span>o ter calma pra deixar que as coisas se esclareçam por si mesmas,&#8221; mas em que cadência a minha vida se encontra?&#8221; Ela fechou o livro, se encolheu de frio e foi embora. Quase derruba o copo da mesa, “odeio esses dias em que acordo com a m<span><span>ão torta”, resmungou. Quase deixa o casaco na cadeira, por um segundo, e voltou para buscá-lo. Abriu a porta, levou um vento na cara, lembrou que a chuva não dá uma folga.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“O tempo só pode existir em funçao da raz<span><span>ã</span></span>o, mas a loucura derrete o tempo”&#8230;foi o que ela pensou plana e adocicada. Ia chegar tarde ao trabalho, mas se sentia o coelho do mundo de Alice ao revés, sem relógio na m<span><span>ão e sempre dizendo, &#8220;não tenho pressa, não vou perder nada&#8221;.</span></span> Nem se importou com conferir a hora, e só pôde lamentar que ainda n<span><span>ã</span></span>o lhe tivessem roubado todo seu tempo&#8230;.</span></p>
<blockquote>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"><em> </em></span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"><em>Life moves pretty fast. If you don&#8217;t stop and take a look around once in a while, you could miss it.</em></span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"><em><br />
</em></span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"><em>O <strong>Café Lento</strong></em><em> existe, sim, lento e filsófico.</em></span></p>
<p class="MsoNormal"><em>Fica na rua 21 North Ln, Headingley,<span style="font-style: normal; "> </span></em></p>
<p class="MsoNormal"><em>Leeds, LS6, United Kingdom.</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>www.cafelento.co.uk</em></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><em><br />
</em></p></blockquote>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"> </span></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Em Paris do Pará&#8230;</title>
		<link>http://www.omundopequeno.com/2009/10/13/em-paris-do-para/</link>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 11:24:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pam</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[O mundo dos outros]]></category>

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		<description><![CDATA[Trilha sonora do texto&#8230;

Ele entrou como um raio dentro daquela loja pequena e cheia de obejtos usados, de outras vidas. Salivava de tanta ansiedade, com a boca solta e desamarrada, falando barbaridades consigo,“Imagina, seu sacana, se eu ia ter coragem de fazer aquilo,tá maluco?”. E fingia que não falava sozinho, como se a sua metade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">Trilha sonora do texto&#8230;</p>
<p class="MsoNormal"><object width="425" height="350" data="http://www.youtube.com/v/Yfbokuwky9Q" type="application/x-shockwave-flash"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Yfbokuwky9Q" /></object></p>
<p class="MsoNormal">Ele entrou como um raio dentro daquela loja pequena e cheia de obejtos usados, de outras vidas. Salivava de tanta ansiedade, com a boca solta e desamarrada, falando barbaridades consigo,“Imagina, seu sacana, se eu ia ter coragem de fazer aquilo,tá maluco?”. E fingia que n<span><span>ão falava sozinho, como se a sua metade que o perseguisse. “Sai, sai”, dizia espanando os pesamentos mais sujos&#8230;</span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span>Olhou ao redor com dois olhos de pedra e recuperou o entusiasmo incial.<span> </span>Atrasou um pouco o passo até chegar ao caixa. Queria acalmar as idéias. “Sai, sai”, e se livrava de mais um peso na consciência. Coçou nervoso os seus cabelos fofos como um tapete,deu um passo infantil, daquele que deixa o corpo num desequilibrio bobo, avançou determinado, um, dois, e juntou os pés, um ao lado do outro, em frente ao caixa.</span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span>Chegou até a mocinha da loja e disse emocionado: “Olha que maravilha que acabo de encontrar”. Ela, que nunca duvidou da ambiç<span><span>ã</span></span>o dos simples mortais, olhou pra aquele quadro e disse profunda, “ah, que raridade, hein?” Mas, logo se deu conta de que aquilo n<span><span>ã</span></span>o se tratava de uma pintura, n<span><span>ã</span></span>o era coisa que tivesse valor. Um desenho, um pedaço de de Paris, uma cidade que já inspirou tantos pintores, que já acolheu tantos poetas e sentimentais,tantos beijos apaixonados (se bem que ela nunca se beijou apaixonada em Paris) &#8220;e a fazem assim de papel e caneta&#8221;&#8230;</span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span>“N<span><span>ã</span></span>o é mesmo uma maravilha?”, perguntou o rapaz trazendo-a de volta ao seu mundo. “Ah, realmente, que coisa linda. Olha só, é Paris”,ela respondeu, se sentindo um pouco ameaçada pelo entusiasmo do cliente.</span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“Ah, Paris!”, <span> </span>os seus olhos duros se desmancharam, e com a boca cheia rematou: “já estive lá, sim,sim”.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Ela n<span><span>ão disse palavra, olhava para o quadro</span></span> sem sentimento algum<span><span>,</span></span>deslizando a m<span><span>ã</span></span>o pelo desenho como se apagasse algum sonho. E ele todo agoniado por uma resposta, com a cara no quadro como se quisesse entar dentro dele, apontou para a <em>Torre Eiffel</em> e perguntou :“ E o que é isso, o que é isso?”. No que ela, como pega de surpresa, só pode responder com a m<span><span>ão segurando a boca</span></span>, pra que nada além de uma simples resposta escapasse:“É a famosa<span> </span><em>Torre Eiffel</em>, em Paris”. E ele como se recuperasse a memória, afirmou, “claro, claro, já estive em Paris”.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“E você gostou de Paris?”, perguntou a mocinha com cautela. “Meu Deus, muito,muito mesmo. É o único lugar que eu conheço nesse mundo”, sorriu poético. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“Sei. É uma cidade linda mesmo”, foi só o que pôde pensar e dizer. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“Você é francesa?”, perguntou com a esperança de quem vai a Paris praticar o francês com um nativo.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“N<span><span>ão, não sou nada”, disse quase muda.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span lang="ES-TRAD">“Que pena. Ia ser bom conhecer Paris e uma francesa”, e se calou. Pediu que ela colocasse o quadro numa sacola plástica, &#8220;pra proteger Paris”, e saiu tão alto como se alcançasse o topo da <em>Tour Eiffel</em>”</span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span lang="ES-TRAD">A mocinha ficou ali parada, ela que já havia estado em outros lugares, sentiu vontade de seguir o inverso, &#8220;todo mundo quer ir pra Paris, eu quero ir pro Pará&#8221;&#8230;Ela n<span><span>ã</span></span>o, queria mesmo achar um quadro de uma cidade com alma, com uma torre humana,com um carrossel de histórias, viajar no mundo dos outros. </span></span></p>
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		<item>
		<title>Quando chove os doidos saem da toca&#8230;</title>
		<link>http://www.omundopequeno.com/2009/10/06/quando-chove-os-doidos-saem-da-toca/</link>
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		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 22:54:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pam</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Mundo - Voluntário]]></category>

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Hoje já vou avisando: estou sem muita paciência! Sonhei a noite toda que lia livros e mais livros. Sonhei com uma mão, que mão foi essa que você colocou no meu sonho, hein? Então, essa mão dura ia mudando os textos, um atrás do outro,enquanto meu cérebro absorvia cada palavra, linha por linha, e a mão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>Hoje já vou avisando: estou sem muita paciência! Sonhei a noite toda que lia livros e mais livros. Sonhei com uma mão, que mão foi essa que você colocou no meu sonho, hein? Então, essa mão dura ia mudando os textos, um atrás do outro,enquanto meu cérebro absorvia cada palavra, linha por linha, e a mão me dava mais histórias em cápsulas, pra eu continuar criando, sonhando,sem perder o meu rumo&#8230;o que é que você está fazendo comigo?,sem deixar escapar nenhum pedaço de mim no papel&#8230;mas,que criatura é essa que desaparece e me deixa aqui solta, personagem abandonada?</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Estou ensopada de letras! Não consigo parar de ler, de escrever, é uma convulsão criativa, será? E quando acaba? O que está acontecendo, me explica!!!!Mas onde começou mesmo? Isso tudo que estou sentindo pertence a quem mesmo? Ah, me sinto uma cópia. Onde foi parar esse maldito escritor?</span></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Eu só falei que era bom ter alguém que pensasse em mim com carinho, alguém que estudasse, com calma, as minhas emoçoes, que me construísse como se constrói um filho, que me fizesse viver histórias incríveis, dessas que nos fazem querer mudar de vida na mesma hora. Ah, eu confesso agora: Eu quero nascer de um esboço, sim, de um suspiro de imaginação, quero  sentir o prazer do meu criador a cada página que avança, quero passar páginas, ser borrada, recriada, “essa frase não combina mesmo com ela”,ouvi ele dizer, ocupar os pensamentos do meu escritor, deixar que ele me veja completamente nua, não ter vergonha de ser o que sou, de errar ou de falar alguma bobagem.</span></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Ele nunca me julgaria, porque seus olhos de criador são livres de julgamento,não existe nem o bem, nem o mal, ele sabe disso, que a minha força está na palavra e através dela me defende.Ninguém vai me dizer o que fazer. Ele sabe onde quer me levar. Ele não pode me ver, mas quando ele me escreve, ele me desenha de um jeito tão certo que me assusta - me conhece tão bem, <em>ufilhdmãe,v</em>ai saber de que idéia ele me tirou.</span></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">E hoje ele me botou numa história curta, porque <span style="text-decoration: underline;">hoje</span> eu tive um dia corrido e pedi que, <em>pelamordeus</em>, &#8220;me poupe de ir pra lá e pra cá e pensar tanto&#8221;. A geladeira quebrou, a cozinha ficou alagada, lá fora chovia tanto que dava pra lavar alma, pensamento&#8230;O rapaz levou a geladeira velha, trouxe a geladeira nova, deixou minha sala um lixo, com pés de chuva no tapete, no chão, e a geladeira chovendo dentro dela, velha, saiu lavando o chão empoeirado.</span></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">E ai já viu, lama, água e poeira. Não deu tempo de almoçar, saí correndo pro trabalho e aí meu criador me entendeu e sussurrou no meu ouvido: “Certo.Hoje está que não cabe mais chuva. Vou poupar você,então. Hoje você não faz nada, só vai observar e só vai falar quando eu mandar”.</span></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Aceitei na hora. Foi aí que ele me veio com essa história de que quando chove os doidos saem do casulo.<em>Quando chove quem sai do buraco é  barata, eu falei</em>. “Psiu, já avisei que você não ia precisar falar nada, guarde seus comentários”. <em>Está bem, disse me engolindo inteira. Certo</em>.</span></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Chove doido na loja de caridade, ou melhor,charity shop (<em>em inglês é mais chique, né?</em> “Não pedi sua opiniao ainda”. <em>Tá beeem</em>). Hoje na loja da fundação RSPCA, onde Paloma trabalha,choveu doido atrás de casaco, de abrigo, de agasalho. Começou com um homem amarelado, de cabelo preto, magro como cabo de vassoura. Entrou, vasculhou umas roupas, passou o tempo conversando com seus (<em>cabides</em>) botoes, rindo, algo ali buscava&#8230; uma resposta? Paloma olhou intrigada: “Será que ele tá buscando roupa pra namorada?” (<em>Vem cá, quando eu penso, eu penso em inglês ou em português?</em> “Paloma, não tenho tempo pra respostas. Seguimos a história?” <em>Odeio quando você me coloca dentro de um parêntesis</em>.<em>E quando você me coloca com essas letras deitadas, então, e essas frescuras todas, parece que penso pequeno ou diferente.</em> “Paloma, seguimos a história, se alguém chegar a esse ponto da história, não vai ter nem vontade de chegar até o final”. <em>Que chato</em>).</span></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">O homem esquelético  de cabelo preto lambido decidiu provar o casaco (<em>três vezes menor que o número dele, né? “ </em>Vai continuar interrompedo, my dear?” <em>DESCULPA</em>). Vestia uma camisa leopardo minúscula, que acentuava seu corpo de criança desnutrida. Provou um casaco verde que ficou acima da sua cintura&#8230;Pediu opinião aos outros clientes que passeavam pela loja, a maioria idosos ou estudantes em busca de uma barganha.</span></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">&#8220;Está ótimo&#8221;, disse um dos clientes e piscando o olho pra Paloma como se acabasse de enganar uma criança. O homem magro gritou pra todo mundo ouvir: “gostei! mas acho que está um pouco pequeno”. Paloma, então, resolveu ajudar,disse que as roupas masculinas eram do outr&#8230; (<em>não adiantou nada, né? Ele nem me deixou falar, já foi dizendo que gostou daquele casaco e pronto&#8230; </em>“È, eu sei melhor do que você o que ele acha”. <em>Que grosso você! Viu o quê hoje? Chuva, né, só pode!</em>)</span></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">O homem seguia no seu monólogo real, mantendo a atenção dos clientes que fingiam que não estavam atentos<span lang="ES-TRAD"> (<em>pessoas acostumadas com a loucura é outra coisa. Na minha cidade todo mundo já estaria rindo&#8230;</em>). “</span><span lang="ES-TRAD">É sempre assim: quando a gente gosta da cor, o tamanho é errado. Quando fica bem no corpo, a gente não gosta da cor. Vou levar”, e o homem magricela deu um ponto final na história</span></span></p>
<p class="MsoNormal">
<div id="attachment_244" class="wp-caption aligncenter" style="width: 360px"><img class="size-full wp-image-244" title="godô" src="http://www.omundopequeno.com/wp-content/uploads/2009/10/godo.jpg" alt="Meu nome é Godofredo, fredo,fredo, fredo, mas nao fedo nao...  " width="350" height="467" /><p class="wp-caption-text">Meu nome é Godofredo, fredo,fredo,mas eu não fedo, não...</p></div>
<p class="MsoNormal">Uma senhora passou por Paloma e disse disfarçadamente: “To be or not to be. <span lang="ES-TRAD">That´s the question”. Paloma riu. Vender ou não vender um casaco de mulher para um corpo disfarçado de homem, era a toda a questão do dia”. Em seguida, surgiu o oposto do cliente anterior: esse era forte, com uma barba que batia no peito e uma cabeça que quase não passava na porta (<em>ah, mas semelhante na loucura</em>).</span></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Ele foi direto ao ponto. Queria um colete preto. Provou, perguntou a ela como estava e ela disse “perfect”, sempre simpática. Vendeu ao senhor barbudo,que pagou com dinheiro guardado numa lata amassada, que levava no bolso do paletó junto com uma bolsa enrolada de plástico, “onde está, onde está, minha bolsa. Ah, sim, aqui” e  enrolou um pouco mais e guardou-a no bolso interno do sobretudo e, sobretudo, disse <span style="text-decoration: line-through;"><em>goodbye</em></span> apressado, mas depois de descobrir que a dona da loja era italiana disse <em>ciao</em>, e falou maravilhas da Itália, exaltado, &#8220;Ahh, Itália!Quantos veroes passei ali&#8221;&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“ E você é italiana também?”, perguntou a Paloma.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“Não”.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“Espanhola?”</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“Nao”.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“ Hum&#8230;Portuguesa?”</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“ Nao”.</span></p>
<p class="MsoNormal">“Que charity shop mais internacional!&#8221;, disse a barba exclamativa.</p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">E Paloma ensinou ele a dar “adeus” em português. No final ele saiu com colete de menos de três libras e um adeus de graça, “Adeus, ha-ha&#8221;, repetiu.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“Esse é desses doidos que não sabem falar, só se comunicam rindo”, pensou Paloma, olhando –se no espelho, espelho meu, existe alguém mais doida&#8230;E em seguida entrou o mesmo antigo cliente (<em>de sempre, minha manager itialiana sempre manda tomar cuidado com ele</em>. “Eu sei disso, Paloma.”) com seus dentes separados; ele vasculha e nunca compra nada; depois entrou um senhor gordo e molhado e comprou um cd que não se vendia mas, se doava, e ele doou uns centavos para algum cachorrinho ou gato da vida;</span></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">chovia, chovia, e uma das atendentes da loja se sentiu chuvosa e um pouco deprimida, foi embora mais cedo, “Que será que ela tem?”, se perguntou Paloma.</span></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“Deve ser porque chove mais dentro dela que em qualquer outra parte do mundo agora&#8221;,pensou, abafada. Olhou para o relógio, <em>o tempo passa rápido ali (“Olha você se metendo no texto! Agora sou eu quem está dentro dos parêntesis, com letra inclinada..como você fez isso. Acabe com essa brincadeira de mau gosto!”)</em></span></p>
<p class="MsoNormal"><em></em></p>
<p class="MsoNormal"><em><span lang="ES-TRAD">N</span></em><span lang="ES-TRAD">ão sei!</span><em></em></p>
<p class="MsoNormal"><em></em></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Ah, retomandoo meu texto&#8230;O tempo passa, tanta gente passa também&#8230;Paloma se sente útil, ajudando mais cachorro que gato, pelo menos assim ela pensa, porque prefere cachorro a gato, mas não importa.</span></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Ela quase se esqueceu que entrou um homem volumoso, com cara de arqueólogo ou de professor de ciências e comprou um quadrinho com uma coruja dentro e logo comprou um outro idêntico, com outra coruja triste&#8230; “que barato, fenomenal!cinquenta pennies por um quadrinho desses”, e saiu maravilhado, como se acabasse de achar um fóssil.</span></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“Va benne”, disse Paloma, se liberando. Em italiano, porque o inglês não é uma língua pra desabafar, o italiano sim, é idioma anti-stress. (<em>Já chega, não? Ainda tenho que limpar a casa, fazer um jantar legal, ler meus livros&#8230;dá pra parar por aqui? Cansei já&#8230;Hum&#8230;Ok, me ignora que eu gosto&#8230;</em>).</span></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">“Vá benne”, Paloma diiiisse, então, e chegou a hora de ir pra casa e terminar esse texto; sem doido, mas com chuva, sem cheiro de barata (<em>eu falei mesmo que algumas pessoas cheiram a barata em dias de chuva. Não <em>sei o que há de errado nisso, é uma frase legal. “</em>Está bem,Paloma. Estou feliz porque você voltou pra dentro dos parêntesis. Quem sabe eu encaixo sua `ótima frase` numa próxima história”. <em>Aff</em>&#8230;).</em></span></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">E sem cheiro, mas perfumada de idéias, Paloma voltou pra casa. Nem pensou que aquelas pessoas existiam de verdade (<em>pensei sim,juro</em>) como a sujeira na sua cozinha, como a fome que ela sentiu por nao ter almoçado. Nem pensou que todo lugar tem seu doido, que todo mundo guarda uma loucura mansa, domesticada, que ela tem vontade de ser doida também, de comprar roupa de homem, de criança e pedir opinião a alguém no meio da rua. Ela também tem vontade usar guarda-chuva nos dias sem chuva, soltar um grito dentro do cinema, dançar pelada dentro de casa, sei lá, vai saber a cabeça de cada um (<em>você não sabe que me sabe?</em>)&#8230; Juro que nem eu mesmo conheço você cem por cento, Paloma. Não posso saber tudo o que você pensa. Não tenho certeza de nada (<em>achei que sim&#8230;</em>).Nem saberia dizer se o que acabo de inventar faz menos sentido que citar Shakespeare numa loja onde as pessoas pagam pra ser doido.</span></p>
<p class="MsoNormal">
<blockquote><p><span style="font-family: mceinline;"><em><span style="font-family: mceinline;"> RSPCA é uma fundação que ajuda os animaizinhos desse mundo todo.</span></em></span></p>
<p><span style="font-family: mceinline;"><em><span style="font-family: mceinline;">&#8220;The RSPC as charity will, by all lawful means, prevent cruelty, promote kindness to and alleviate suffering of animals&#8221;</span></em></span></p>
<p><span style="font-family: mceinline;"><em><span style="font-family: mceinline;"> We need volunteers and donations! </span></em></span></p>
<p><span style="font-family: mceinline;"><em><span style="font-family: mceinline;">Visitem o site: </span></em></span></p>
<p><a href="http://www.rspca.org.uk/"><span style="font-family: mceinline;">http://www.rspca.org.uk/</span></a><span style="color: #f60854;"><em> </em></span></p></blockquote>
</div>
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		<title>Una Paloma baila en el aire</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Oct 2009 00:40:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pam</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Mundo de Aventuras]]></category>

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		<description><![CDATA[Alguém já provou a sensação de poder voar? Como muitas crianças, eu também já vesti minha capa de super herói,ou melhor, um lençol roubado de uma cama grande demais para um corpo infantil. Algum dia desses da minha infância eu tentei voar e saí arrastando um lençol  (como se fosse parte do meu corpo, uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD"><span style="color: #000000;"><span style="text-decoration: underline;">Alguém já provou a sensação de poder voar?</span> </span></span><span lang="ES-TRAD">Como muitas crianças, eu também já vesti minha capa de super herói,ou melhor, um lençol roubado de uma cama grande demais para um corpo infantil. Algum dia desses da minha infância eu tentei voar e saí arrastando um lençol  (como se fosse parte do meu corpo, uma calda longa&#8230;) pelo chão do corredor até chegar à sala e encarar o sofá - aquela nave estática instalada no meio do salão enfeitado de criaturas desconhecidas: as mesmas que  apareciam no meu sonho como se continuassem a existir na minha memória, na minha invenção.</span></p>
<p class="MsoNormal">
<div id="attachment_237" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-237" title="noar" src="http://www.omundopequeno.com/wp-content/uploads/2009/10/noar4.jpg" alt="Ainda dá tempo de desistir!" width="300" height="448" /><p class="wp-caption-text">Ainda dá tempo de desistir!</p></div>
<p>Naquele espaço, onde tudo parecia real demais, tinha a tv ligada, o jornal da noite, as notícias que não me atingiam, o telefone, minha mãe preenchida com seu trabalho, com ser mãe, mulher, persona, meu irmão agitado, correndo, a hora de tomar o café, cuzcuz com leite ou carne desfiada&#8230; eu até comia, mas parecia uma refeição pesada demais para quem precisava logo, logo voar&#8230;.</p>
<p>Mas, minha ansiedade havia de digerir, e o meu corpo havia de se adaptar às coisas terrenas&#8230;ao sal, ao movimento da casa, o fato de ninguém sequer desconfiar do poder daquele lençol flutuante;ou porque ninguém enxergava as minhas asas aveludadas, minhas pernas de réptil, velozes e àsperas, prontas para saltar no ar e meu instinto domesticado&#8230;Não podia me permitir avançar tanto, já me bastava o ar&#8230;</p>
<div id="attachment_234" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-234" title="noar2" src="http://www.omundopequeno.com/wp-content/uploads/2009/10/noar2.jpg" alt="Preparavoar!" width="500" height="335" /><p class="wp-caption-text">Preparavoar!</p></div>
<p>Mas, finalmente sobrava espaço nas minhas entranhas, o passo ficava mais leve. Então, eu subia no topo daquela montanha já nem sentindo vontade de correr; ia caminhando, adestrando o bicho faminto da ansiedade para que o coração se convencesse de que a aventura havia sido adiada. “Fica calmo, coração de lata”, e até parecia nem bater;parecia, sim, um pano amarrado dentro de mim, envolvendo uma semente granulosa - parte de um coração de criança&#8230; “o coração da criança está todo no seu sorriso”,alguém que me sussurrou ou ouvi isso em algum lugar? Ou já me sobra memória nesse momento pra tanto voar, tanto bater de pernas, tanto corpo, tanto desafio à gravidade, tanto querer se expandir&#8230;.</p>
<p>Vai, acontecer, falta pouco. A montanha nem parece tão alta como pensei&#8230;E terá alguém à minha espera, o que me deixa tranquila. Porque quando o corpo se jogar e a emoção se desintegrar no ar&#8230;quem será testemunha? Porque quando eu voltar do céu, aquele céu que eu sonhei, eu não serei mais a mesma&#8230;Eu voltaria uma pessoa descamada&#8230;de dentro pra fora, do outro lado; depois que tocasse nas nuvens de porcelana, do que me pertencia antes só restaria o meu nome:paloma, feita de asas&#8230;</p>
<div id="attachment_235" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-235" title="noar" src="http://www.omundopequeno.com/wp-content/uploads/2009/10/noar3.jpg" alt="Que aventura!" width="500" height="335" /><p class="wp-caption-text">Que aventura!</p></div>
<p>E  quando chegasse o momento e eu desejasse voltar correndo pro chão,onde os meus pés só andaram por pura conveniência, eu saberia dizer, com a cara mastigando uma adrenalina consumida, eu diria com compaixão e um nervoso sabotado: &#8220;Hoje eu descobri que todo esforço em manter-me fixa foi em vão&#8221;&#8230;Não existe nada mais puro e violento que a liberdade de flutuar no ar&#8230;eu talvez não possa compartilhar esse segredo com você, mas eu posso voar&#8230;“mas,qual é a sensaçao de voar, me diga?” É como sentir o mundo ao revés, eu não saberia explicar, é tão violento que o estômago se contrai e revolve por completo, depois o corpo produz um desejo incontrolável de subir até o mais alto que puder e lá de cima os olhos se surpreendem de nunca terem visto, até então, paisagem igual; até mesmo a forma como vemos as coisas mudam, lá de cima tudo parece pintado com detalhe e desconfio que todos os grandes pintores são aves em segredo. E o vento é tao forte que faz o sorrirso gemer num desespero frio e irradiante.</p>
<p>Todo o rosto se remodela, o sorriso corre por toda a cara (eu mesma o senti no meio da minha testa)&#8230; depois de um tempo quando o corpo todo se inverte e se acostuma com toda troca, com a mudança do orgãos, dos sentidos, vem uma sensação plena, um gozo tão duradouro que a gente pensa ser prazer, mas é apenas vibração. Em seguida, vem o pavor de tanto sentir e o corpo inaugura uma calma&#8230;Só assim eu poderia explicar o meu nome, e o meu coração enlatado, porque, sim, meu coração também saltou pela boca e se perdeu no ar! Somente assim, você que já tentou voar comigo, meu irmão, vai entender os meus sonhos no meio da noite, o pensamento longe, os meus pés tocando cada vez menos forte no chão, a minha vontade de pássaro&#8230;</p>
<div id="attachment_233" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-233" title="noar" src="http://www.omundopequeno.com/wp-content/uploads/2009/10/noar1.jpg" alt="Voando cada vez mais alto..." width="500" height="335" /><p class="wp-caption-text">Voando cada vez mais alto...</p></div>
<p>P.S. Eu dedico esse post a Sam, que me deu de presente (aniversário de dois anos) o poder de voar, ou pelo menos o poder de experimentar, por um momento, essa emoçao. Me deu de presente o que pertence a mim, pelo que me identifica: una paloma, como já me disseram tantas vezes, assim como &#8220;yo&#8221;, nasceu mesmo pra voar&#8230;</p>
<p>&#8230;e tomar conta do mundo lá de cima&#8230;</p>
<p>Todo meu amor.</p>
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		<title>A cadeira e rostos que passeiam&#8230;</title>
		<link>http://www.omundopequeno.com/2009/09/16/219/</link>
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		<pubDate>Wed, 16 Sep 2009 16:04:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pam</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[O mundo dos outros]]></category>

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		<description><![CDATA[Pensando outra vez em retomar minha rotina nesse blog, eu tentei refazer primeiro o espaço ao meu redor. Incrível como pequenas coisas podem se transformar em pedras no meu caminho, deixando-me parada e perplexa. O fato de não ter uma mesa para escrever, por exemplo. Incomodava muito. Horas sentadas no sofá já me custaram uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span lang="ES-TRAD">Pensando outra vez em retomar minha rotina nesse blog, eu tentei refazer primeiro o espaço ao meu redor. Incrível como pequenas coisas podem se transformar em pedras no meu caminho, deixando-me parada e perplexa. O fato de não ter uma mesa para escrever, por exemplo. Incomodava muito. Horas sentadas no sofá já me custaram uma visita ao médico e muitas dores nas costas no final do dia. Não tinha outro jeito, eu tinha que mudar os objetos da casa, abandonar o sofá peludo e o comodismo em busca daquele espaço guardado nos velhos sonhos de adolescente&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">A decisão foi tomada e entramos em ação. Descemos, eu e Sam,nossa rua montanhosa, contornada por casas de jardins encantados, com seus girassóis gigantes que mais parecem de plástico (eu tive que tocar, são enormes), até o final, logo a direita, onde existe uma loja de móveis usados, chamada <em>Trash and Treasures. </em>Na verdade, uma sala<em> </em>com relíquias do passado, e com um dono careca e robusto que, nos dias de sol, costuma sentar num dos sofás expostos no lado de fora e parece feliz, com a cabeça pra cima contemplando o céu, recebendo o calor,como um girassol em movimento.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Compramos uma cadeira usada, na qual agora mesmo estou sentada. De madeira, acolchoada com um tecido bege, cor do passado; é velha, mas resistente. Se tivesse sabor, seria acre ou talvez amarga&#8230;e se n</span><span lang="PT-BR">ão</span><span lang="PT-BR"> fosse apenas um objeto, seria um sentimento ou um desejo; mas, é um pedaço de perna que me sustenta com rigidez, suportando mais que meu corpo o peso dos meus pensamentos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Tenho um cadeira e uma mesa! É tão absurdamente simples que posso ser chamada sem piedade de estúpida, sem ter mais o que fazer. Não tiro a razão de quem pense assim. Mas, não tem jeito, eu tenho essa mania de levar a sério coisas tão pequenas&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">O mais importante é o alívio que sinto depois de digitar essa palavras, dividindo o espaço desse pequeno escritório com Sam, que parece achar graça no meu jeito infantil de demarcar o meu território, e pela ansiedade de espalhar pela mesa as minhas coisas: uma foto minha deitada no topo da Cachoeira da Fumaça, na Chapada Diamantina, calculando com espanto a imensidão de uma queda; uma outra foto dele de perfil, como se fosse um modelo que tivesse posado pra mim; papéis, cadernos, anotaç</span><span lang="PT-BR">õ</span><span lang="PT-BR">es em italiano (voltei a estudar), uma caixinha com a foto da Marilyn Monroe, um estojo rosa, Cora, a minha sapinha de pelúcia viajante, um porta caneta de caju, comprado no Mercado Thales Ferraz, em Aracaju, lembrança dos seis meses passados no Brasil.</span></p>
<div id="attachment_222" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-222" title="paparazzi21" src="http://www.omundopequeno.com/wp-content/uploads/2009/09/paparazzi21.jpg" alt="elas dividem o mesmo momento...dividirao os mesmo sentimentos?" width="500" height="335" /><p class="wp-caption-text">elas dividem o mesmo momento...dividirão os mesmo sentimentos?</p></div>
<p><strong><span style="font-family: mceinline;"><span style="text-decoration: line-through;">Agora sim</span></span></strong><span style="text-decoration: line-through;"> </span>posso voltar, posso voltar ao meu sonho&#8230;uma casa no meio do nada&#8230;uma sala aconchegante e uma mesa ao lado de uma janela, pra de vez em quando descansar o olhar no movimento da vida lá fora, acompanhar a coreografia da natureza, um passo pra lá, outro pra cá no balanço das árvores&#8230;.e quem sabe apontar um rosto que precisa ser encontrado no meio de uma paisagem grossa, uma mistura de tinta seca formando uma pintura confusa, espalhada no ar&#8230;um rosto que, sem saber porquê, segue em frente e sem olhar fixo;um rosto que, através do mínimo gesto, pode colocar todo o corpo em perigo&#8230;sem proteção&#8230; eu poderia achar nesse rosto o que vejo na natureza: uma paz atropelada por um ar de ansiedade, movimentos delicados e espontâneos, mas repentinamente violentos&#8230;um espanto de força, uma melodia cheia de graça,uma resposta imediata&#8230;ou um silêncio infinito que parece guardar ruídos de outras espécies&#8230;</p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT-BR"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Bom, a minha vontade nesse <em>post</em> ou nos seguintes, quem sabe, é falar sobre uma das coisas que fazemos quando viajamos.Sam e eu curtimos tirar fotos da cidade, da paisagem, mas também gostamos de tirar fotos de rostos, de pessoas&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT-BR">Eu tenho fascinação pela vida dos outros&#8230;desde pequena sempre adorei observar as outras pessoas. Adoro rostos anônimos&#8230;são um mistério sem solução&#8230;no momento do flash eles revelam algo, mas nunca se sabe ao certo&#8230;.nunca vou saber se aquela pessoa é feliz ou se ela já sofreu muito na vida&#8230;mas, nas nossas fotos, esses rostos são como bonecos enfeitiçados, dotados subtamente de um desejo incontrolável de viver, mas estão limitados, são rostos cansados, distraídos, capazes tanto de sorrir quanto de amar, mas que só cabem dentro da história que um instantâneo pode revelar&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal">
<div id="attachment_221" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-221" title="paparazzi3" src="http://www.omundopequeno.com/wp-content/uploads/2009/09/paparazzi3.jpg" alt="Era um segredo, algo importante, uma confissao?" width="500" height="335" /><p class="wp-caption-text">Era um segredo, algo importante, uma confissão?</p></div>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT-BR"> </span></p>
<p>Até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
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